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Toffler diz a Lerner como será novo livro

Há algumas semanas, quando de sua discreta (e rapidíssima) passagem pelo Rio de Janeiro, o escritor Alvin Toffler fez questão de reservar uma noite para jantar com o arquiteto Jaime Lerner e o engenheiro Cassio Tanigushi, que já havia conhecido em Nova Iorque, há alguns anos. Admirador do trabalho que Jaime e Cassio desenvolveram em Curitiba, e identificados com a preocupação pelo futuro, o autor de Ä Terceira Onda" e Choque do Futuro" fez questão de aproveitar a visita ao Brasil para conversar com seus amigos curitibanos. Durante o jantar, Toffler revelou o tema de seu novo livro: um estudo sobre o perigo do gigantismo nas empresas. Há alguns anos, Toffler fez um artigo sobre o futuro das telecomunicações e a participação das empresas privadas no mercado. A alta cúpula da ITT americana achou interessante as suas formulações e o contratou para que fizesse um estudo da multinacional grupo e opinasse sobre providências a serem tomadas para as próximas décadas. Após se debruçar alguns meses em torno dos múltiplos tentáculos que a ITT tem pelo mundo afora, a proposta de [Toffler] se resumiu em "pulverizar a empresa em pequenas unidades". O board of directors reagiu em proposta e mandou engavetar, sigilosamente, o estudo. O tempo veio confirmar que Alvin Toffler estava, mais uma vez, certo. E agora, quando não só a ITT como outras imensas supercorporações começam a preocupar em se tornarem mais ágeis e fugir do esquema paquidérmico, Alvin achou conveniente transformar o relatório num novo libro - best-seller com toda segurança. Para tanto já solicitou autorização da ITT (que afinal comprou o seu trabalho) para reescrever o texto e lançá-lo ainda este ano. xxx Embora tenha escalado as paradas de Best sellers com "Choque do Futuro" e "A Terceira Onda", há 19 anos atrás um livro de Alvin Toffler era lançado no Brasil e passava desapercebido: "O Povo e a Cultura", tradução de Neslon De Vicenzi, incluído pela hoje extinta Lidador n a "Biblioteca de Cultura Geral". Distribuído pela USIS - que mantinha um atuante escritório em Curitiba, o livro de Toffler já analisava as mudanças ocorridas na vida americana no transpor dos anos 50 para a década de 60, fazendo então um minucioso retrato do consumidor de cultura. Toffler explicava nas 254 páginas de seu livro como a cultura esta(va) se tornando uma grande indústria e como a arte invadia os escritórios dos homens de negócios, "porque os artistas são mal remunerados e como uma revolução artístico-política pouco compreendida está destruindo a velha elite cultural". xxx O último livro de Toffler que saiu no Brasil é "Previsões & Premissas" (Editora Record, 243 páginas, tradução de Ruy Jungman).Na verdade uma longa entrevista com Toffler, este livro oferece uma riqueza de propostas originais e, com freqüência, surpreendentes para lidar com as crises que o mundo hoje enfrenta. No estilo vivo de perguntas e respostas, Alvin Toffler nos da instigantes opiniões sobre economia, o futuro do trabalho, o conflito com o Japão, o papel das mulheres, o equilíbrio em mutação do poder racial no planeta, a natureza da identidade pessoal, o impacto da televisão, o computador na política e o futuro tanto do socialismo como do capitalismo. O livro inclui também uma curta história da futurologia, uma esclarecedora discussão teórica das fontes da mudança social e [um] exame da filosofia de história seguida por Toffler. Interessante e que disse a respeito desta obra II, a Prigogine, Prêmio Nobel, do Instituto Internacional de Física e Química da Universidade de Bruxelas: "A atual explosão demográfica e a revolução científica em campos tais como a energia, biologia e informações exigem não só novas relações entre os seres humanos e natureza, mas também novas relações sociais. Precisamos também de enfoque pluralista que enfatize a diversidade e leve em conta as oscilações, se quisermos evitar ser engolfados por uma sociedade orientada para a massa, repressiva. Alvin Toffler faz uma penetrante análise desse desafio. Argumenta convincentemente que se tornaram obsoletas as subdivisões introduzidas pela Economia Clássica e pela Sociologia. Novas maneiras para compreendermos as razões da mudança precisam ser formuladas. Mas este livro é otimista. Sua mensagem é clara: a despeito de todas as incertezas, somos capazes de dominar a nova complexidade na qual seremos forçados a viver".
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Tablóide
20
02/11/1984

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