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Aramis

Haja tempo para tantos programas

Como se não bastasse a excelente e diversificada programação da I Mostra do Cinema Latino Americano do Paraná (cine Lido I, e auditório da Biblioteca Pública, a partir de domingo), há ainda atrações especiais no circuito comercial - sem falar na Cinemateca. É aquela velha história: há meses de indigência cinematográfica e, de repente, uma torrente de opções - tornando impossível ao cinéfilo acompanhar toda a programação. Claro que a primeira fica para a Mostra Latino-Americana: são longas, curtas e médias inéditos - alguns dificilmente terão relançamento. A Mostra abre no domingo, às 20,30 horas, com a estréia nacional de "Leila Diniz" de Carlos Lacerda ("Bigode"), que foi grande amigo de Leila (1945-1972) e a dirigiu, inclusive, em seu último filme ("Mãos Vazias"). Três outros filmes inéditos brasileiros, importantes, também estarão na mostra: "Rádio Pirata", de Lael Rodrigues (na segunda-feira). "Fronteira das Almas" de Hermano Pena (terça-feira) e, no encerramento, "O País dos Tenentes", de João Batista de Andrade (sábado, 10). Some-se os filmes estrangeiros - 3 cubanos ("Retrato de Teresa", "Memórias Del Subdesarollo", "Elpídio Valdes"), um peruano ("Tupac Amaru"), um argentino ("No Habrás Mas Penas Ni Olvido") e um colombiano ("Tiempo de Morir", o grande premiado no II FestRio-85), mais dezenas de curtas e médias metragens para se ter uma programação das mais atraentes. DIABÓLICOS Por razões que é difícil entender, Aleixo Zonari retirou de cartaz alguns filmes que poderiam permanecer várias semanas com bom público: "Assim é a Vida", comédia de Black Edwards no Cinema I; "Coração Satânico", de Alan Parker (seguramente, entre dez melhores do ano) e mesmo "A Pequena Loja de Horrores", o musical de Frank Oz. Também o filme do Plaza, que estava com ótima renda, teve ceifada sua temporada para dar lugar a uma medíocre cópia de "Rambo": "Tornado". A imposição das multinacionais - especialmente a 20th Century Fox - faz com que a programação cinematográfica sofra interrupções lamentáveis. Por exemplo, "Veludo Azul" de David Lynch, que marcou ontem a reabertura do Bristol, depois de duas semanas obrigatórias naquela sala irá para o Cinema I. A Warner faz o lançamento nacional de "As Bruxas de Eastwick" (The Wtiches of Eastwick), de George Miller, baseado no romance de John Updike - desde ontem no Astor. Jack Nicholson é o diabinho erótico que chega numa pequena cidade da Nova Inglaterra para satisfazer três mulheres sexualmente carentes: interpretadas por Cher, Susan Sarandon e Michele Pfeiffer, em "Coração Satânico" era Robert de Niro que interpretava Louis Cifer, um diabólico personagem. Pelo visto, os diabos estão em alta nas bilheterias... No próximo dia 8, outro lançamento nacional: "Robocop - o Policial do Futuro", de Paul Verhoeven (cine Plaza), previsto para várias semanas de exibição. No Plaza. NACIONAIS Além dos quatro bons filmes brasileiros que estarão na Mostra a semana tem dois filmes nacionais em lançamento "A Fonte da Saudade", de Marcos Altberg, baseado no romance "Trilogia do Assombro", de Helena Jobim, com música do irmão Antônio Carlos, estreou no Cinema I. Lucélia Santos em três papéis diferentes, contracenando com Thales Pan Chacon, Paulo Betti, José Wilker, Cláudio Marzo, de Jorge Bengell e outros. Já no Ritz, estreou "A Cor do Seu Destino", de Jorge Durán - o grande premiado em Brasília. Durán, na próxima terça-feira, estará na cidade participando do debate sobre roteiro e literatura no cinema brasileiro (auditório Brasílio Itiberê, Secretaria da Cultura) um dos eventos paralelos da Mostra Latino-Americana. LEGENDA FOTO - Jack Nicholson e Cher "As Bruxas de Eastwick": diabolismo & sexo. Em exibição no Astor.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Estado do Paraná
Almanaque
Nenhum
2
02/10/1987

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